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Dieta Mediterrânea é Herança Cultural

A palavra Mediterrâneo deriva da palavra latina mediterraneus, que significa “entre as terras”. E é, de facto, um mar entre terras, que liga três continentes: Europa, África e Ásia.

O Mediterrâneo foi desde sempre um espaço de contacto entre povos e, consequentemente, de trocas culturais e comercias. Estas, por sua vez, influenciaram profundamente a alimentação dos povos desta zona da Europa, gerando aquilo a que hoje chamamos dieta mediterrânea.

Em 2013, a dieta mediterrânea foi classificada pela UNESCO como património imaterial da humanidade.

A dieta mediterrânea é, por si só, um ritual à volta da mesa e das refeições, um pilar fundamental da identidade cultural, e desempenha um papel agregador nas comunidades, juntando pessoas de todas as idades e classes sociais.

Aliás, a palavra dieta deriva da palavra grega diaita, que significa estilo de vida e a relação entre o corpo e o espírito e a destes com o meio ambiente. E foi com base neste conceito que a UNESCO decidiu atribuir a classificação de património imaterial da humanidade à dieta mediterrânea.

Apesar de não ser banhado pelo Mediterrâneo, Portugal pertence ao denominado grupo de países da dieta mediterrânea, e como afirma Orlando Ribeiro no seu livro Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, “Portugal é atlântico por posição e mediterrânico por natureza.”

A gastronomia portuguesa é rica e saudável, e é uma trave mestra na herança cultural portuguesa, na qual podemos encontrar todos os principais alimentos da dieta mediterrânica.

No seu todo, a alimentação mediterrânica é, sem qualquer sombra de dúvida, uma dieta saudável. Mas acima de tudo é uma celebração de um estilo de vida das comunidades sul europeias.

É uma herança presente em várias manifestações culturais, como é caso da literatura. Nesta são imensas as referências à dieta mediterrânea. Podemos citar, por exemplo, um excerto das “As Cidades e as Serras” de Eça de Queiroz: “Horácio dedicaria uma ode àquele cabrito assado num espeto de cerejeira. E com as trutas, e o vinho do Melchior, e a cabidela, em que a sublime anã de olhos tortos pusera inspirações que não são da Terra, e aquela doçura da noite de Junho, que pelas janelas abertas nos envolveu no seu veludo negro (…)”.

A dieta mediterrânea, envolve assim uma série de conhecimentos, rituais e tradições ligadas às colheitas, pescas, confecção e em particular à forma como se partilham e consomem os alimentos em comunidade.

Esta partilha é a base da identidade cultural das comunidades da bacia do Mediterrâneo. A dieta mediterrânica é, por isso, mais do que um conjunto de alimentos e estilos de culinária: é uma herança cultural.

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